"Sera bom realmente que continueis? Deve qualquer historia ter fim?...Importa tão pouco o que dizemos ou não dizemos...O nosso mister e inútil como a Vida..." (O Marinheiro, Fernando Pessoa, pg. 8)
Esta citação me faz pensar na importância de contexto no entendimento numa historia. Se não soubesse o contexto desta situação, seria difícil entender porque estas mulheres estão falando desta maneira depressiva. Todas elas estão ponderando profundamente durante toda a peça sobre a vida e vs. morte, e sonhos vs. realidade.
No começo da peça, explica que estas três mulheres estão vigiando o corpo de uma mulher morta durante toda a noite. Com este contexto faz sentido que eles estão pensando sobre a morte e sobre o propósito da vida delas. Também, e importante para nos entendermos o contexto da vida das outra pessoas para poder entender PORQUE elas agem de certa maneira.
Tuesday, April 12, 2016
Friday, March 25, 2016
"Se ele for preso, daremos toda a cobertura. Abriremos manchetes na primeira página. Será uma maravilha para ele!" (Pagador de Promessa, Dias Gomes, pg. 142)
Aqui, o repórter está falando para Rosa e Zé sobre as possibilidades de fama e atenção que receberão se eles ficarem em vez de voltar mais cedo para casa. E interessante que o repórter descreve estar preso como uma "maravilha para ele." (ênfase adicionada). Na verdade, seria um horror para Ze porque ele nem pretendia lutar para uma causa nem receber atenção - só cumprir uma promessa. Mas, no outro lado, seria sim uma maravilha para o repórter. Ele com certeza receberia mais dinheiro pela história.
Também acho interessante o uso do autor de prenúncio. Há vários exemplos de prenúncio nesta peca que são bem explícitos que fala da morte de Zé. Portanto, este exemplo e mais sutil. Esta citação pode ser interpretada como prenúncio porque fala da aparência de Zé "na primeira página", que com certeza aconteceu depois da morte dele. Também, fala que "Será uma maravilha para ele!". Ele não chegou a ser preso, mas o destino dele foi uma "maravilha" mesmo assim porque ele, de alguma forma, conseguiu cumprir a promessa.
Aqui, o repórter está falando para Rosa e Zé sobre as possibilidades de fama e atenção que receberão se eles ficarem em vez de voltar mais cedo para casa. E interessante que o repórter descreve estar preso como uma "maravilha para ele." (ênfase adicionada). Na verdade, seria um horror para Ze porque ele nem pretendia lutar para uma causa nem receber atenção - só cumprir uma promessa. Mas, no outro lado, seria sim uma maravilha para o repórter. Ele com certeza receberia mais dinheiro pela história.
Também acho interessante o uso do autor de prenúncio. Há vários exemplos de prenúncio nesta peca que são bem explícitos que fala da morte de Zé. Portanto, este exemplo e mais sutil. Esta citação pode ser interpretada como prenúncio porque fala da aparência de Zé "na primeira página", que com certeza aconteceu depois da morte dele. Também, fala que "Será uma maravilha para ele!". Ele não chegou a ser preso, mas o destino dele foi uma "maravilha" mesmo assim porque ele, de alguma forma, conseguiu cumprir a promessa.
Monday, March 14, 2016
"Ele faz menção de dar-lhe um bofetão, ela corre e refugia-se atrás da cruz." (O Pagador de Promessas, Dias Gomes, pg. 30)
Esta citação vem de uma situação entre Bonitão e Marli. Eles estão brigando porque Marli não deu todo seu dinheiro para Bonitão como ele acha que ela deve. Então, esta citação esta descrevendo a ação entre o diálogo deles. A citação e interessante para mim porque faz menção sutilmente da cruz.
Esta menção da cruz faz o leitor começar a perguntar e pensar mais em "o que significa/representa a cruz nesta peca?" Nesta situação parece que a cruz e um símbolo de refugio para Marli. Também parece que pode ser um impedimento para Bonitão que não consegue agarrar a Marli. Além destes exemplos físicos, pode ser que a cruz e um refugio para Marli no lado espiritual e emocional, talvez representando algum santo, ou ate Jesus Cristo mesmo. Da mesma forma, e possível que o simbolismo religioso da cruz e um impedimento para Bonitão, que não quer fazer o bem.
Esta citação vem de uma situação entre Bonitão e Marli. Eles estão brigando porque Marli não deu todo seu dinheiro para Bonitão como ele acha que ela deve. Então, esta citação esta descrevendo a ação entre o diálogo deles. A citação e interessante para mim porque faz menção sutilmente da cruz.
Esta menção da cruz faz o leitor começar a perguntar e pensar mais em "o que significa/representa a cruz nesta peca?" Nesta situação parece que a cruz e um símbolo de refugio para Marli. Também parece que pode ser um impedimento para Bonitão que não consegue agarrar a Marli. Além destes exemplos físicos, pode ser que a cruz e um refugio para Marli no lado espiritual e emocional, talvez representando algum santo, ou ate Jesus Cristo mesmo. Da mesma forma, e possível que o simbolismo religioso da cruz e um impedimento para Bonitão, que não quer fazer o bem.
Friday, March 11, 2016
"O Pagador de Promessas não e uma peca anticlerical—espero que isso seja entendido. Zé do Burro e truciado não pela Igreja, mas por toda uma organização social" (O Pagador de Promessas, Nota do Autor, pg. 15-6, Dias Gomes)
Eu acho esta citação muito interessante porque ao aprender o enredo da peca, superficialmente parece que o propósito e um critico da Igreja. De fato, no prefacio deste livro, Sabato Magaldi fala que "esta claro que o Pagador de Promessas constitui uma critica ao formalismo clerical" (pg. 10-1). Mas, de acordo com as intenções do autor, não e para ser uma critica de Igreja: tem um significado bem mais profundo.
Ao ler esta peca de teatro, vou ter que procurar este sentimento do autor na evidencia textual. Como ele esta criticando a sociedade? Talvez seja fácil encontrar significado básico no superfície, mas tem muito mais por baixo. Talvez os personagens da peca não são exatamente o que parecem, mas são símbolos para conceitos controversos.
Eu acho esta citação muito interessante porque ao aprender o enredo da peca, superficialmente parece que o propósito e um critico da Igreja. De fato, no prefacio deste livro, Sabato Magaldi fala que "esta claro que o Pagador de Promessas constitui uma critica ao formalismo clerical" (pg. 10-1). Mas, de acordo com as intenções do autor, não e para ser uma critica de Igreja: tem um significado bem mais profundo.
Ao ler esta peca de teatro, vou ter que procurar este sentimento do autor na evidencia textual. Como ele esta criticando a sociedade? Talvez seja fácil encontrar significado básico no superfície, mas tem muito mais por baixo. Talvez os personagens da peca não são exatamente o que parecem, mas são símbolos para conceitos controversos.
Thursday, March 3, 2016
"A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros/Vinha da boca do povo na língua errada do povo/Língua certa do povo/Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil" (Evocação de Recife, Manuel Bandeira)
Eu achei este poema muito interessante porque não e convencional. Também o conteúdo do poema não e convencional. É único porque fala de lembranças especificas e cotidianas do autor como rapaz, não de ideias grandes e complexas como o amor ou a sociedade. Também, a forma não e convencional porque não tem esquema de rima, nem padrão de sílabas.
Nesta citação específica Bandeira usa antítese na parte que fala "[a] língua errada do povo/Língua certa do povo" para mostrar que mesmo que as pessoas ao redor dele estejam falando "errado", era perfeito e "gostoso" porque era a forma em que as pessoas que ele amava falavam. Tudo neste poema talvez não seja convencional, mas é exatamente o que Bandeira gosta. É tudo verdade, real e pessoal.
Eu achei este poema muito interessante porque não e convencional. Também o conteúdo do poema não e convencional. É único porque fala de lembranças especificas e cotidianas do autor como rapaz, não de ideias grandes e complexas como o amor ou a sociedade. Também, a forma não e convencional porque não tem esquema de rima, nem padrão de sílabas.
Nesta citação específica Bandeira usa antítese na parte que fala "[a] língua errada do povo/Língua certa do povo" para mostrar que mesmo que as pessoas ao redor dele estejam falando "errado", era perfeito e "gostoso" porque era a forma em que as pessoas que ele amava falavam. Tudo neste poema talvez não seja convencional, mas é exatamente o que Bandeira gosta. É tudo verdade, real e pessoal.
Thursday, February 25, 2016
"Que falta nesta cidade?................Verdade
/Que mais por sua desonra?...........Honra
/Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.
/O demo a viver se exponha,
/Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
/Verdade, Honra, Vergonha." (Epilogos, Gregorio de Matos)
Esta obra e muito interessante porque parece nao ter filtro. Gregorio de Matos nao tem medo de falar as coisas da mente dele. Ele critica TUDO da cidade dele, inclusive a igreja, o governo e a socidedade em geral. Ele usa palavras fortes e duras, que com certeza teria sido ofensivas na epoca.
Nesta citação ele faz um resumo das problemas que tem - falta de verdade, honra e vergonha. O problema da cidade em geral e o corrupção. Ele menciona vários exemplos de coisas erradas que estão acontecendo na cidade. Também fala de varias pessoas que devem sentir vergonha pelas coisas que fazem. E um critico muito forte e eu me pergunto como o mundo reagiria hoje se alguém fizesse um critico assim.
Thursday, February 18, 2016
"Mas o sol, inclinando a rutila capela:/Pesa-me esta brilhante aureola de nume.../Enfara-me esta azul e desmedida umbela.../Porque não nasci eu um simples vaga-lume?" (Circulo Vicioso, Machado de Assis)
Gostei muito deste poema porque mostra um assunto bem humano por objetos inanimados. Ele usa muitas estratégias interessantes para mostrar que todo mundo quer o que não pode ter. Machado usa varias figuras de linguagem para demonstrar esta ideia, como personificação, metáfora, anafora, etc. O exemplo mais óbvio e personificação porque cada "personagem" no poema - a vaga-lume, a estrela, a lua e o sol - mostra ciume e fala dos seus sentimentos, como se fosse uma pessoa.
Outro exemplo interessante de uma figura de linguagem aqui e anafora. Se usa anafora em frases aparecidas com o começo da situação em cima "mas o sol", "mas a lua" e "mas a estrela". Esta repetição cria o circulo vicioso. A repetição também da ênfase ao fato de que todo mundo se encontra nesta mesma situação de querer o que os outros tem. Esta citação especialmente mostra que e um circulo mesmo: as "pessoas" em cima fazem parte também, querendo a simplicidade que as pessoas embaixo não querem.
Gostei muito deste poema porque mostra um assunto bem humano por objetos inanimados. Ele usa muitas estratégias interessantes para mostrar que todo mundo quer o que não pode ter. Machado usa varias figuras de linguagem para demonstrar esta ideia, como personificação, metáfora, anafora, etc. O exemplo mais óbvio e personificação porque cada "personagem" no poema - a vaga-lume, a estrela, a lua e o sol - mostra ciume e fala dos seus sentimentos, como se fosse uma pessoa.
Outro exemplo interessante de uma figura de linguagem aqui e anafora. Se usa anafora em frases aparecidas com o começo da situação em cima "mas o sol", "mas a lua" e "mas a estrela". Esta repetição cria o circulo vicioso. A repetição também da ênfase ao fato de que todo mundo se encontra nesta mesma situação de querer o que os outros tem. Esta citação especialmente mostra que e um circulo mesmo: as "pessoas" em cima fazem parte também, querendo a simplicidade que as pessoas embaixo não querem.
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...
Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1009 © Luso-Poemas
Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...
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Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...
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Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...
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Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...
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Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...
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Friday, February 12, 2016
"E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente,
tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver." (Medo da Eternidade, Clarice Lispector)
Nesta cronica a protagonista, quando era menina, provou chiclete pela primeira vez. Sendo cronica, e muito simples a historia e se trata de um assunto muito cotidiano. Eu acho interessante que a historia acontece no ponto de vista de uma menina, e por isso um assunto pequeno e simples vira uma manifestacao de medo e uma analogia da eternidade.
Ainda na perspectiva da menina, ela fala como se esta situacao fosse muito seria. Ela imagina que o uso de chiclete involve um "ritual", e refere ao chiclete como uma coisa "tao inocente, tornando possivel o mundo impossivel". E incrivel que esta cronica e humorosa (porque a menina entende a chiclete de uma maneira tao diferente) e seria ao mesmo tempo porque presenta uma licao interessante sobre a eternidade.
- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver." (Medo da Eternidade, Clarice Lispector)
Nesta cronica a protagonista, quando era menina, provou chiclete pela primeira vez. Sendo cronica, e muito simples a historia e se trata de um assunto muito cotidiano. Eu acho interessante que a historia acontece no ponto de vista de uma menina, e por isso um assunto pequeno e simples vira uma manifestacao de medo e uma analogia da eternidade.
Ainda na perspectiva da menina, ela fala como se esta situacao fosse muito seria. Ela imagina que o uso de chiclete involve um "ritual", e refere ao chiclete como uma coisa "tao inocente, tornando possivel o mundo impossivel". E incrivel que esta cronica e humorosa (porque a menina entende a chiclete de uma maneira tao diferente) e seria ao mesmo tempo porque presenta uma licao interessante sobre a eternidade.
Thursday, February 4, 2016
"...compreende que por um instante
encarnou de fato o lavrador, que involuntária e inconscientemente, por
uma trapaça do destino, tornou-se o próprio lavrador pelo que aquele
vulto veio anunciar; compreende tudo num segundo..." (Estão apenas Ensaiando, Bernardo Carvalho, 4)
Durante todo este conto, escrito por Bernardo Carvalho, existe um contraste grande entre o mundo real e o ensaio. Este contraste e feito primeiramente pela frase "estao apenas ensaiando". Quase toda vez que os atores comecam a ensaiar esta frase parece, deixando claro que o que eles estao falando e fazendo nao sao reais. E so uma pratica. A "realidade" esta longe, esta afora da porta. Mas, com a entrada do homem pela porta a realidade severa vem bem mais perto. Eu acho que o homem mesmo pode ser uma representacao da realidade.
O leitor não esta preparado para os dois mundos se combinarem. O autor usa muita repetição durante o conto todo para emfatizar a surpresa deste descobrimento no final. Neste momento da citação, o mundo do ensaio (da peca) combina com o mundo real muito rapidamente. A realidade da morte entra no palco, e também a emoção que deve estar no palco entra na plateia. A informação da morte da mulher junta a linguagem da peca (que um ator acha antiga e irrelevante) com os sentimentos deste mesmo ator.
Durante todo este conto, escrito por Bernardo Carvalho, existe um contraste grande entre o mundo real e o ensaio. Este contraste e feito primeiramente pela frase "estao apenas ensaiando". Quase toda vez que os atores comecam a ensaiar esta frase parece, deixando claro que o que eles estao falando e fazendo nao sao reais. E so uma pratica. A "realidade" esta longe, esta afora da porta. Mas, com a entrada do homem pela porta a realidade severa vem bem mais perto. Eu acho que o homem mesmo pode ser uma representacao da realidade.
O leitor não esta preparado para os dois mundos se combinarem. O autor usa muita repetição durante o conto todo para emfatizar a surpresa deste descobrimento no final. Neste momento da citação, o mundo do ensaio (da peca) combina com o mundo real muito rapidamente. A realidade da morte entra no palco, e também a emoção que deve estar no palco entra na plateia. A informação da morte da mulher junta a linguagem da peca (que um ator acha antiga e irrelevante) com os sentimentos deste mesmo ator.
Friday, January 29, 2016
" Oh não! não! não é por causa do convite para jantar! é que as rosas eram tão lindas que tive o impulso de dar a você!
Sim, se na hora desse jeito e ela tivesse coragem, era assim mesmo que diria. Como é mesmo que diria? precisava não esquecer: diria — Oh não! etc. E Carlota se surpreenderia com a delicadeza de sentimentos de Laura, ninguém imaginaria que Laura tivesse também suas ideiazinhas." (A Imitacao da Rosa, Clarice Lispector, pg. 6)
Aqui e só um exemplo das conversas que a Laura tem com si mesma. Ela esta praticando uma conversa em que ela espera surpreender a Carlota e o seu marido com os pensamentos e sentimentos dela. Ela pratica conversas e imagina situações por horas e horas durante este dia na mente dela, querendo que tudo fique perfeita na vida dela - que as pessoas se surpreendam pelas ações e ideias dela, que ela consiga arrumar tudo perfeitinha na casa, etc. E claro que ela quer ser aceita pelas pessoas na vida dela.
Varias vezes neste conto Laura repete ideias. Por exemplo, ela fala varias vezes que ela precisa passar ferro nas camisas do Armando e colocar o vestido marrom. Ela parece querer ter uma vida perfeita e normal. Ela se importa bastante com a opinião de Carlota e de Armando. Eu acho que a Clarice Lispector usa este repetição de ideias durante o conto para enfatizar a pressao que Laura sente (da sociedade ou de Armando, ou de si mesma) de ser uma mulher perfeita e fazer tudo que e esperada dela.
Sim, se na hora desse jeito e ela tivesse coragem, era assim mesmo que diria. Como é mesmo que diria? precisava não esquecer: diria — Oh não! etc. E Carlota se surpreenderia com a delicadeza de sentimentos de Laura, ninguém imaginaria que Laura tivesse também suas ideiazinhas." (A Imitacao da Rosa, Clarice Lispector, pg. 6)
Aqui e só um exemplo das conversas que a Laura tem com si mesma. Ela esta praticando uma conversa em que ela espera surpreender a Carlota e o seu marido com os pensamentos e sentimentos dela. Ela pratica conversas e imagina situações por horas e horas durante este dia na mente dela, querendo que tudo fique perfeita na vida dela - que as pessoas se surpreendam pelas ações e ideias dela, que ela consiga arrumar tudo perfeitinha na casa, etc. E claro que ela quer ser aceita pelas pessoas na vida dela.
Varias vezes neste conto Laura repete ideias. Por exemplo, ela fala varias vezes que ela precisa passar ferro nas camisas do Armando e colocar o vestido marrom. Ela parece querer ter uma vida perfeita e normal. Ela se importa bastante com a opinião de Carlota e de Armando. Eu acho que a Clarice Lispector usa este repetição de ideias durante o conto para enfatizar a pressao que Laura sente (da sociedade ou de Armando, ou de si mesma) de ser uma mulher perfeita e fazer tudo que e esperada dela.
Monday, January 18, 2016
"Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão
facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um
temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes
risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um
harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo
nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem
feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de
ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse
amar." ("A Missa do Galo", Machado de Assis, pg. 1)
Parece que Machado gosta de criar mulheres misteriosas nos seus contos. Houve Rita no conto de "A Cartomante" que as vezes parecia inocente, mas as vezes foi descrita como um serpente. Conceição é um exemplo maravilhoso disso no conto "A Missa do Galo". Para as outras pessoas, ela parece completamente fiel, submissa, e paciente com o seu marido infiel. Mas, mais tarde no conto ela parece tentar seduzir um rapaz chamado Nogueira de dezessete anos. Ela sai do quarto dela no meio da noite para falar com ele, e fala com ele de coisas bem pessoais e profundas. Ela passa uma hora com ele, deixando ele confuso com emoções.
Da mesma forma que ela não é tão boa como parece com portas fechadas, ela também não e tão sincera como parecia com o Nogueira. Durante a noite ela parece ter uma conexão bem profunda com Nogueira, falando de coisas que nunca provavelmente nunca tinha falado para seu marido. Mas, no próximo dia ela agiu completamente normal para o rapaz, como se nada tivesse acontecido. Então, no final do conto, ela continua um mistério ao leitor.
Parece que Machado gosta de criar mulheres misteriosas nos seus contos. Houve Rita no conto de "A Cartomante" que as vezes parecia inocente, mas as vezes foi descrita como um serpente. Conceição é um exemplo maravilhoso disso no conto "A Missa do Galo". Para as outras pessoas, ela parece completamente fiel, submissa, e paciente com o seu marido infiel. Mas, mais tarde no conto ela parece tentar seduzir um rapaz chamado Nogueira de dezessete anos. Ela sai do quarto dela no meio da noite para falar com ele, e fala com ele de coisas bem pessoais e profundas. Ela passa uma hora com ele, deixando ele confuso com emoções.
Da mesma forma que ela não é tão boa como parece com portas fechadas, ela também não e tão sincera como parecia com o Nogueira. Durante a noite ela parece ter uma conexão bem profunda com Nogueira, falando de coisas que nunca provavelmente nunca tinha falado para seu marido. Mas, no próximo dia ela agiu completamente normal para o rapaz, como se nada tivesse acontecido. Então, no final do conto, ela continua um mistério ao leitor.
Wednesday, January 13, 2016
"Estava em paz com os homens. Não o estava com a consciência, e as primeiras noites foram naturalmente de desassossego e aflição. Não e preciso dizer que vim logo para o Rio de Janeiro, nem que vivi aqui aterrado, embora longe do crime; não ria, falava pouco, mal comia, tinha alucinações, pesadelos..." (O Enfermeiro, Machado de Assis, pg. 4)
É interessante que aqui Procópio fala que "estava em paz com os homens". Ele não tinha falado a verdade para ninguém. Ele acha que estar em paz com os homens significa só ser livre de julgamento e possivelmente tempo em prisão. Mas, na verdade, se ele tivesse falado a verdade para alguém, teria também paz da consciência. O resto do conto ele fala das angustias e sentimentos de culpa por qual ele passa. Poderia ter aliviado tudo isso.
O fato de ele não falar a verdade para ninguém apresenta a pergunta "porque não?" Se ele realmente estava inocente e matou o coronel só por acidente, todo mundo ia entender. Fala no conto que ninguém nem aguentava estar com o coronel por muito tempo. Eu não acho que ninguém ia ficar com muita raiva. As pessoas provavelmente iam fazer as mesmas justificativas que o Procópio fez - que o coronel ia morrer logo de qualquer forma, e que era uma luta defensiva, não assassino. Então, parece que o assassino realmente foi intencional devido à culpa que ele sentia por muito tempo depois.
É interessante que aqui Procópio fala que "estava em paz com os homens". Ele não tinha falado a verdade para ninguém. Ele acha que estar em paz com os homens significa só ser livre de julgamento e possivelmente tempo em prisão. Mas, na verdade, se ele tivesse falado a verdade para alguém, teria também paz da consciência. O resto do conto ele fala das angustias e sentimentos de culpa por qual ele passa. Poderia ter aliviado tudo isso.
O fato de ele não falar a verdade para ninguém apresenta a pergunta "porque não?" Se ele realmente estava inocente e matou o coronel só por acidente, todo mundo ia entender. Fala no conto que ninguém nem aguentava estar com o coronel por muito tempo. Eu não acho que ninguém ia ficar com muita raiva. As pessoas provavelmente iam fazer as mesmas justificativas que o Procópio fez - que o coronel ia morrer logo de qualquer forma, e que era uma luta defensiva, não assassino. Então, parece que o assassino realmente foi intencional devido à culpa que ele sentia por muito tempo depois.
Friday, January 8, 2016
"Tudo lhe parecia agora melhor, as outras
coisas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos
seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que
eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que
eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e
gravíssimo." (A Cartomante, Machado de Assis, pg. 6)
Neste ponto da historia, Camila acabou de receber boas noticias de uma cartomante, que "o terceiro" não sabia da adultério acontecendo entre sua esposa e Camilo, e que ele não ia fazer nada. Nesta citação parece que esta tudo bem e que não tem chance de problema, mas parece que Camilo esquece da advertência da cartomante que , "era indispensável muita cautela: ferviam invejas e despeitos." Sendo uma pessoa um pouco ingênua, faz sentido que ele não presta atenção à parte mais importante da "profecia", que ele deveria ter cuidado.
Acho interessante que Machado de Assis cria esta parte tão calma da historia apenas um pouco antes da morte de Camilo. Esta parte deixa o leitor relaxado e pensando que tudo vai dar certo no final da historia, quando na realidade esta decisão de ir urgentemente só leva Camilo até a morte dele mais rapidamente. Depois isso, tudo acontece muito rápido, quase nem deixando tempo para o leitor entender o que esta acontecendo. É poderoso.
Neste ponto da historia, Camila acabou de receber boas noticias de uma cartomante, que "o terceiro" não sabia da adultério acontecendo entre sua esposa e Camilo, e que ele não ia fazer nada. Nesta citação parece que esta tudo bem e que não tem chance de problema, mas parece que Camilo esquece da advertência da cartomante que , "era indispensável muita cautela: ferviam invejas e despeitos." Sendo uma pessoa um pouco ingênua, faz sentido que ele não presta atenção à parte mais importante da "profecia", que ele deveria ter cuidado.
Acho interessante que Machado de Assis cria esta parte tão calma da historia apenas um pouco antes da morte de Camilo. Esta parte deixa o leitor relaxado e pensando que tudo vai dar certo no final da historia, quando na realidade esta decisão de ir urgentemente só leva Camilo até a morte dele mais rapidamente. Depois isso, tudo acontece muito rápido, quase nem deixando tempo para o leitor entender o que esta acontecendo. É poderoso.
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