"...compreende que por um instante
encarnou de fato o lavrador, que involuntária e inconscientemente, por
uma trapaça do destino, tornou-se o próprio lavrador pelo que aquele
vulto veio anunciar; compreende tudo num segundo..." (Estão apenas Ensaiando, Bernardo Carvalho, 4)
Durante todo este conto, escrito por Bernardo Carvalho, existe um contraste grande entre o mundo real e o ensaio. Este contraste e feito primeiramente pela frase "estao apenas ensaiando". Quase toda vez que os atores comecam a ensaiar esta frase parece, deixando claro que o que eles estao falando e fazendo nao sao reais. E so uma pratica. A "realidade" esta longe, esta afora da porta. Mas, com a entrada do homem pela porta a realidade severa vem bem mais perto. Eu acho que o homem mesmo pode ser uma representacao da realidade.
O leitor não esta preparado para os dois mundos se combinarem. O autor usa muita repetição durante o conto todo para emfatizar a surpresa deste descobrimento no final. Neste momento da citação, o mundo do ensaio (da peca) combina com o mundo real muito rapidamente. A realidade da morte entra no palco, e também a emoção que deve estar no palco entra na plateia. A informação da morte da mulher junta a linguagem da peca (que um ator acha antiga e irrelevante) com os sentimentos deste mesmo ator.
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