"E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente,
tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver." (Medo da Eternidade, Clarice Lispector)
Nesta cronica a protagonista, quando era menina, provou chiclete pela primeira vez. Sendo cronica, e muito simples a historia e se trata de um assunto muito cotidiano. Eu acho interessante que a historia acontece no ponto de vista de uma menina, e por isso um assunto pequeno e simples vira uma manifestacao de medo e uma analogia da eternidade.
Ainda na perspectiva da menina, ela fala como se esta situacao fosse muito seria. Ela imagina que o uso de chiclete involve um "ritual", e refere ao chiclete como uma coisa "tao inocente, tornando possivel o mundo impossivel". E incrivel que esta cronica e humorosa (porque a menina entende a chiclete de uma maneira tao diferente) e seria ao mesmo tempo porque presenta uma licao interessante sobre a eternidade.
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