Friday, February 12, 2016

"E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver."  (Medo da Eternidade, Clarice Lispector)

Nesta cronica a protagonista, quando era menina, provou chiclete pela primeira vez.  Sendo cronica, e muito simples a historia e se trata de um assunto muito cotidiano.  Eu acho interessante que a historia acontece no ponto de vista de uma menina, e por isso um assunto pequeno e simples vira uma manifestacao de medo e uma analogia da eternidade. 

Ainda na perspectiva da menina, ela fala como se esta situacao fosse muito seria.  Ela imagina que o uso de chiclete involve um "ritual", e refere ao chiclete como uma coisa "tao inocente, tornando possivel o mundo impossivel".  E incrivel que esta cronica e humorosa (porque a menina entende a chiclete de uma maneira tao diferente) e seria ao mesmo tempo porque presenta uma licao interessante sobre a eternidade.

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