Tuesday, April 12, 2016

"Sera bom realmente que continueis?  Deve qualquer historia ter fim?...Importa tão pouco o que dizemos ou não dizemos...O nosso mister e inútil como a Vida..." (O Marinheiro, Fernando Pessoa, pg. 8)

Esta citação me faz pensar na importância de contexto no entendimento numa historia.  Se não soubesse o contexto desta situação, seria difícil entender porque estas mulheres estão falando desta maneira depressiva.   Todas elas estão ponderando profundamente durante toda a peça sobre a vida e vs. morte, e sonhos vs. realidade. 

No começo da peça, explica que estas três mulheres estão vigiando o corpo de uma mulher morta durante toda a noite.  Com este contexto faz sentido que eles estão pensando sobre a morte e sobre o propósito da vida delas.  Também, e importante para nos entendermos o contexto da vida das outra pessoas para poder entender PORQUE elas agem de certa maneira.

Friday, March 25, 2016

"Se ele for preso, daremos toda a cobertura.  Abriremos manchetes na primeira página.  Será uma maravilha para ele!" (Pagador de Promessa, Dias Gomes, pg. 142)

Aqui, o repórter está falando para Rosa e Zé sobre as possibilidades de fama e atenção que receberão se eles ficarem em vez de voltar mais cedo para casa.  E interessante que o repórter descreve estar preso como uma "maravilha para ele." (ênfase adicionada).  Na verdade, seria um horror para Ze porque ele nem pretendia lutar para uma causa nem receber atenção - só cumprir uma promessa.  Mas, no outro lado, seria sim uma maravilha para o repórter.  Ele com certeza receberia mais dinheiro pela história.

Também acho interessante o uso do autor de prenúncio.   Há vários exemplos de prenúncio nesta peca que são bem explícitos que fala da morte de Zé.  Portanto, este exemplo e mais sutil.  Esta citação pode ser interpretada como prenúncio porque fala da aparência de Zé "na primeira página", que com certeza aconteceu depois da morte dele.  Também, fala que "Será uma maravilha para ele!".  Ele não chegou a ser preso, mas o destino dele foi uma "maravilha" mesmo assim porque ele, de alguma forma, conseguiu cumprir a promessa.

Monday, March 14, 2016

"Ele faz menção de dar-lhe um bofetão, ela corre e refugia-se atrás da cruz." (O Pagador de Promessas, Dias Gomes, pg. 30)

Esta citação vem de uma situação entre Bonitão e Marli.  Eles estão brigando porque Marli não deu todo seu dinheiro para Bonitão como ele acha que ela deve.  Então, esta citação esta descrevendo a ação entre o diálogo deles.  A citação e interessante para mim porque faz menção sutilmente da cruz.

Esta menção da cruz faz o leitor começar a perguntar e pensar mais em "o que significa/representa a cruz nesta peca?"  Nesta situação parece que a cruz e um símbolo de refugio para Marli.  Também parece que pode ser um impedimento para Bonitão que não consegue agarrar a Marli.  Além destes exemplos físicos, pode ser que a cruz e um refugio para Marli no lado espiritual e emocional, talvez representando algum santo, ou ate Jesus Cristo mesmo.  Da mesma forma, e possível que o simbolismo religioso da cruz e um impedimento para Bonitão, que não quer fazer o bem.

Friday, March 11, 2016

"O Pagador de Promessas não e uma peca anticlerical—espero que isso seja entendido.  Zé do Burro e truciado não pela Igreja, mas por toda uma organização social" (O Pagador de Promessas, Nota do Autor, pg. 15-6, Dias Gomes)

Eu acho esta citação muito interessante porque ao aprender o enredo da peca, superficialmente parece que o propósito e um critico da Igreja.  De fato, no prefacio deste livro, Sabato Magaldi fala que "esta claro que o Pagador de Promessas constitui uma critica ao formalismo clerical" (pg. 10-1).  Mas, de acordo com as intenções do autor, não e para ser uma critica de Igreja: tem um significado bem mais profundo.

Ao ler esta peca de teatro, vou ter que procurar este sentimento do autor na evidencia textual.  Como ele esta criticando a sociedade?  Talvez seja fácil encontrar significado básico no superfície, mas tem muito mais por baixo.  Talvez os personagens da peca não são exatamente o que parecem, mas são símbolos para conceitos controversos. 

Thursday, March 3, 2016

"A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros/Vinha da boca do povo na língua errada do povo/Língua certa do povo/Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil" (Evocação de Recife, Manuel Bandeira)

Eu achei este poema muito interessante porque não e convencional.  Também o conteúdo do poema não e convencional.   É único porque fala de lembranças especificas e cotidianas do autor como rapaz, não de ideias grandes e complexas como o amor ou a sociedade.  Também, a forma não e convencional porque não tem esquema de rima, nem padrão de sílabas. 

Nesta citação específica Bandeira usa antítese na parte que fala "[a] língua errada do povo/Língua certa do povo" para mostrar que mesmo que as pessoas ao redor dele estejam falando "errado", era perfeito e "gostoso" porque era a forma em que as pessoas que ele amava falavam.  Tudo neste poema talvez não seja convencional, mas é exatamente o que Bandeira gosta.  É tudo verdade, real e pessoal.

Thursday, February 25, 2016

"Que falta nesta cidade?................Verdade /Que mais por sua desonra?...........Honra /Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha. /O demo a viver se exponha, /Por mais que a fama a exalta, numa cidade, onde falta /Verdade, Honra, Vergonha."  (Epilogos, Gregorio de Matos)

  Esta obra e muito interessante porque parece nao ter filtro.  Gregorio de Matos nao tem medo de falar as coisas da mente dele.  Ele critica TUDO da cidade dele, inclusive a igreja, o governo e a socidedade em geral.  Ele usa palavras fortes e duras, que com certeza teria sido ofensivas na epoca. 

Nesta citação ele faz um resumo das problemas que tem - falta de verdade, honra e vergonha.   O problema da cidade em geral e o corrupção.  Ele menciona vários exemplos de coisas erradas que estão acontecendo na cidade.  Também fala de varias pessoas que devem sentir vergonha pelas coisas que fazem.  E um critico muito forte e eu me pergunto como o mundo reagiria hoje se alguém fizesse um critico assim.

Thursday, February 18, 2016

"Mas o sol, inclinando a rutila capela:/Pesa-me esta brilhante aureola de nume.../Enfara-me esta azul e desmedida umbela.../Porque não nasci eu um simples vaga-lume?" (Circulo Vicioso, Machado de Assis)

Gostei muito deste poema porque mostra um assunto bem humano por objetos inanimados.  Ele usa muitas estratégias interessantes para mostrar que todo mundo quer o que não pode ter.  Machado usa varias figuras de linguagem para demonstrar esta ideia, como personificação, metáfora, anafora, etc.  O exemplo mais óbvio e personificação porque cada "personagem" no poema - a vaga-lume, a estrela, a lua e o sol - mostra ciume e fala dos seus sentimentos, como se fosse uma pessoa.

Outro exemplo interessante de uma figura de linguagem aqui e anafora.  Se usa anafora em frases aparecidas com o começo da situação em cima "mas o sol", "mas a lua" e "mas a estrela".  Esta repetição cria o circulo vicioso.  A repetição também da ênfase ao fato de que todo mundo se encontra nesta mesma situação de querer o que os outros tem.  Esta citação especialmente mostra que e um circulo mesmo: as "pessoas" em cima fazem parte também, querendo a simplicidade que as pessoas embaixo não querem.
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1009 © Luso-Poemas
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...


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Mas o sol, inclinando a rútila capela:

Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...


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