" Oh não! não! não é por causa do convite para jantar! é que as rosas eram tão lindas que tive o impulso de dar a você!
Sim,
se na hora desse jeito e ela tivesse coragem, era assim mesmo que
diria. Como é mesmo que diria? precisava não esquecer: diria — Oh não!
etc. E Carlota se surpreenderia com a delicadeza de sentimentos de
Laura, ninguém imaginaria que Laura tivesse também suas ideiazinhas." (A Imitacao da Rosa, Clarice Lispector, pg. 6)
Aqui e só um exemplo das conversas que a Laura tem com si mesma. Ela esta praticando uma conversa em que ela espera surpreender a Carlota e o seu marido com os pensamentos e sentimentos dela. Ela pratica conversas e imagina situações por horas e horas durante este dia na mente dela, querendo que tudo fique perfeita na vida dela - que as pessoas se surpreendam pelas ações e ideias dela, que ela consiga arrumar tudo perfeitinha na casa, etc. E claro que ela quer ser aceita pelas pessoas na vida dela.
Varias vezes neste conto Laura repete ideias. Por exemplo, ela fala varias vezes que ela precisa passar ferro nas camisas do Armando e colocar o vestido marrom. Ela parece querer ter uma vida perfeita e normal. Ela se importa bastante com a opinião de Carlota e de Armando. Eu acho que a Clarice Lispector usa este repetição de ideias durante o conto para enfatizar a pressao que Laura sente (da sociedade ou de Armando, ou de si mesma) de ser uma mulher perfeita e fazer tudo que e esperada dela.
Friday, January 29, 2016
Monday, January 18, 2016
"Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão
facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um
temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes
risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um
harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo
nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem
feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de
ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse
amar." ("A Missa do Galo", Machado de Assis, pg. 1)
Parece que Machado gosta de criar mulheres misteriosas nos seus contos. Houve Rita no conto de "A Cartomante" que as vezes parecia inocente, mas as vezes foi descrita como um serpente. Conceição é um exemplo maravilhoso disso no conto "A Missa do Galo". Para as outras pessoas, ela parece completamente fiel, submissa, e paciente com o seu marido infiel. Mas, mais tarde no conto ela parece tentar seduzir um rapaz chamado Nogueira de dezessete anos. Ela sai do quarto dela no meio da noite para falar com ele, e fala com ele de coisas bem pessoais e profundas. Ela passa uma hora com ele, deixando ele confuso com emoções.
Da mesma forma que ela não é tão boa como parece com portas fechadas, ela também não e tão sincera como parecia com o Nogueira. Durante a noite ela parece ter uma conexão bem profunda com Nogueira, falando de coisas que nunca provavelmente nunca tinha falado para seu marido. Mas, no próximo dia ela agiu completamente normal para o rapaz, como se nada tivesse acontecido. Então, no final do conto, ela continua um mistério ao leitor.
Parece que Machado gosta de criar mulheres misteriosas nos seus contos. Houve Rita no conto de "A Cartomante" que as vezes parecia inocente, mas as vezes foi descrita como um serpente. Conceição é um exemplo maravilhoso disso no conto "A Missa do Galo". Para as outras pessoas, ela parece completamente fiel, submissa, e paciente com o seu marido infiel. Mas, mais tarde no conto ela parece tentar seduzir um rapaz chamado Nogueira de dezessete anos. Ela sai do quarto dela no meio da noite para falar com ele, e fala com ele de coisas bem pessoais e profundas. Ela passa uma hora com ele, deixando ele confuso com emoções.
Da mesma forma que ela não é tão boa como parece com portas fechadas, ela também não e tão sincera como parecia com o Nogueira. Durante a noite ela parece ter uma conexão bem profunda com Nogueira, falando de coisas que nunca provavelmente nunca tinha falado para seu marido. Mas, no próximo dia ela agiu completamente normal para o rapaz, como se nada tivesse acontecido. Então, no final do conto, ela continua um mistério ao leitor.
Wednesday, January 13, 2016
"Estava em paz com os homens. Não o estava com a consciência, e as primeiras noites foram naturalmente de desassossego e aflição. Não e preciso dizer que vim logo para o Rio de Janeiro, nem que vivi aqui aterrado, embora longe do crime; não ria, falava pouco, mal comia, tinha alucinações, pesadelos..." (O Enfermeiro, Machado de Assis, pg. 4)
É interessante que aqui Procópio fala que "estava em paz com os homens". Ele não tinha falado a verdade para ninguém. Ele acha que estar em paz com os homens significa só ser livre de julgamento e possivelmente tempo em prisão. Mas, na verdade, se ele tivesse falado a verdade para alguém, teria também paz da consciência. O resto do conto ele fala das angustias e sentimentos de culpa por qual ele passa. Poderia ter aliviado tudo isso.
O fato de ele não falar a verdade para ninguém apresenta a pergunta "porque não?" Se ele realmente estava inocente e matou o coronel só por acidente, todo mundo ia entender. Fala no conto que ninguém nem aguentava estar com o coronel por muito tempo. Eu não acho que ninguém ia ficar com muita raiva. As pessoas provavelmente iam fazer as mesmas justificativas que o Procópio fez - que o coronel ia morrer logo de qualquer forma, e que era uma luta defensiva, não assassino. Então, parece que o assassino realmente foi intencional devido à culpa que ele sentia por muito tempo depois.
É interessante que aqui Procópio fala que "estava em paz com os homens". Ele não tinha falado a verdade para ninguém. Ele acha que estar em paz com os homens significa só ser livre de julgamento e possivelmente tempo em prisão. Mas, na verdade, se ele tivesse falado a verdade para alguém, teria também paz da consciência. O resto do conto ele fala das angustias e sentimentos de culpa por qual ele passa. Poderia ter aliviado tudo isso.
O fato de ele não falar a verdade para ninguém apresenta a pergunta "porque não?" Se ele realmente estava inocente e matou o coronel só por acidente, todo mundo ia entender. Fala no conto que ninguém nem aguentava estar com o coronel por muito tempo. Eu não acho que ninguém ia ficar com muita raiva. As pessoas provavelmente iam fazer as mesmas justificativas que o Procópio fez - que o coronel ia morrer logo de qualquer forma, e que era uma luta defensiva, não assassino. Então, parece que o assassino realmente foi intencional devido à culpa que ele sentia por muito tempo depois.
Friday, January 8, 2016
"Tudo lhe parecia agora melhor, as outras
coisas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos
seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que
eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que
eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e
gravíssimo." (A Cartomante, Machado de Assis, pg. 6)
Neste ponto da historia, Camila acabou de receber boas noticias de uma cartomante, que "o terceiro" não sabia da adultério acontecendo entre sua esposa e Camilo, e que ele não ia fazer nada. Nesta citação parece que esta tudo bem e que não tem chance de problema, mas parece que Camilo esquece da advertência da cartomante que , "era indispensável muita cautela: ferviam invejas e despeitos." Sendo uma pessoa um pouco ingênua, faz sentido que ele não presta atenção à parte mais importante da "profecia", que ele deveria ter cuidado.
Acho interessante que Machado de Assis cria esta parte tão calma da historia apenas um pouco antes da morte de Camilo. Esta parte deixa o leitor relaxado e pensando que tudo vai dar certo no final da historia, quando na realidade esta decisão de ir urgentemente só leva Camilo até a morte dele mais rapidamente. Depois isso, tudo acontece muito rápido, quase nem deixando tempo para o leitor entender o que esta acontecendo. É poderoso.
Neste ponto da historia, Camila acabou de receber boas noticias de uma cartomante, que "o terceiro" não sabia da adultério acontecendo entre sua esposa e Camilo, e que ele não ia fazer nada. Nesta citação parece que esta tudo bem e que não tem chance de problema, mas parece que Camilo esquece da advertência da cartomante que , "era indispensável muita cautela: ferviam invejas e despeitos." Sendo uma pessoa um pouco ingênua, faz sentido que ele não presta atenção à parte mais importante da "profecia", que ele deveria ter cuidado.
Acho interessante que Machado de Assis cria esta parte tão calma da historia apenas um pouco antes da morte de Camilo. Esta parte deixa o leitor relaxado e pensando que tudo vai dar certo no final da historia, quando na realidade esta decisão de ir urgentemente só leva Camilo até a morte dele mais rapidamente. Depois isso, tudo acontece muito rápido, quase nem deixando tempo para o leitor entender o que esta acontecendo. É poderoso.
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