Monday, January 18, 2016

"Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar." ("A Missa do Galo", Machado de Assis, pg. 1)

Parece que Machado gosta de criar mulheres misteriosas nos seus contos.  Houve Rita no conto de "A Cartomante" que as vezes parecia inocente, mas as vezes foi descrita como um serpente.  Conceição é um exemplo maravilhoso disso no conto "A Missa do Galo".  Para as outras pessoas, ela parece completamente fiel, submissa, e paciente com o seu marido infiel.  Mas, mais tarde no conto ela parece tentar seduzir um rapaz chamado Nogueira de dezessete anos. Ela sai do quarto dela no meio da noite para falar com ele, e fala com ele de coisas bem pessoais e profundas.  Ela passa uma hora com ele, deixando ele confuso com emoções. 

Da mesma forma que ela não é tão boa como parece com portas fechadas, ela também não e tão sincera como parecia com o Nogueira. Durante a noite ela parece ter uma conexão bem profunda com Nogueira, falando de coisas que nunca provavelmente nunca tinha falado para seu marido.  Mas, no próximo dia ela agiu completamente normal para o rapaz, como se nada tivesse acontecido.  Então, no final do conto, ela continua um mistério ao leitor.

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